Arquivo/Coleção: José Medeiros
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Homens em frente a tapumes no bairro da Lapa
Em meados do século XVIII a Lapa era uma praia, conhecida como das Areias de Espanha. A explicação para o nome não é muito clara, mas alguns pesquisadores sustentam que poderia se referir à semelhança das areias cariocas com a areia das praias espanholas. Entre a praia e um morro próximo, chamado das Mangueiras, havia apenas um campo despovoado, e foi aí que o padre Ângelo Siqueira Ribeiro do Prado começou a levantar em 1751 um seminário e uma capela em louvor à Nossa Senhora da Lapa. Padre Ângelo faleceu no início do século XIX e então a capela foi cedida, em 1810, aos frades carmelitas, desde 1808 desalojados do convento construído por eles, localizado em frente ao Paço Imperial e então ocupado pela rainha D. Maria I, a Louca. Os carmelitas então ampliaram o seminário e transformaram a capela em igreja, colocando no altar-mor a imagem da padroeira num camarim talhado por Mestre Valentim. A capela vizinha ao seminário, datada de 1773, pertence à Irmandade do Divino Espírito Santo, que promovia grandes festas que mobilizavam toda a cidade. O Largo primitivo passou a chamar-se da Lapa na época de D. João VI. O bairro, aliás, havia sido batizado Lapa do Desterro por ter nascido à sombra do Morro do Desterro, que foi renomeado Morro de Santa Teresa. A despeito de toda atmosfera religiosa na qual surgiu, a Lapa ficou mais conhecida como um bairro boêmio, com uma intensa vida noturna. Se antes era ponto de encontro de malandros e jogadores nos inúmeros cabarés das redondezas, hoje abriga casas de espetáculos e bares que atraem principalmente a juventude da cidade.
José Medeiros
Lapa
circa 1955