Arquivo/Coleção: Pedro Corrêa do Lago
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Aterrado e Engenho Velho
Até o governo do Marquês de Pombal as terras que foram chamadas de Engenho Velho pertenciam à Sociedade de Jesus, cujos padres fizeram dois grandes engenhos de açúcar. O primeiro deles passou a chamar-se Velho depois que o segundo - o Engenho Novo - começou a funcionar a alguns quilômetros de distância. No Engenho Velho foi erguida uma pequena igreja, a de São Francisco Xavier, cuja data ainda não foi bem definida: alguns cronistas defendem ter sido em 1583, outros em 1624. No caminho para o Engenho Velho havia o extenso Mangal de São Diogo, que impedia a passagem direta para o norte; o único caminho possível era através de Mata-Cavalos, atual Rua do Riachuelo. O Mangal era uma baixada arenosa, de mangues, formada por diversos rios e um braço de mar que se estendia da atual ponte dos Marinheiros até a Praça Onze. O caminho direto começou a ser aberto depois da chegada da família real ao Rio de Janeiro. Em 1835 foi projetado um canal que coletasse a água dos rios que ali desaguavam e para receber a entrada do mar; as obras ficaram prontas em 1860, depois que o Barão de Mauá ganhou uma concessão do Governo Imperial para explorá-las. Estava pronto, assim, o Canal do Mangue. Em 1876 foram feitas limpeza e restauração dos muros e pontes e plantadas palmeiras. Foi também aterrada uma área sobre o mangue, que ficou conhecida como Aterrado.
Georges Leuzinger
São Francisco Xavier do Engenho Velho, atual Grande Tijuca
circa 1866