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Flávio de Barros, fotógrafo expedicionário
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC70.jpg
Flávio de Barros, fotógrafo expedicionário
Esta imagem, possivelmente um autorretrato, aparece no fim dos álbuns do Museu da República (volume 1) e do IGHB, funcionando como uma "assinatura visual" do fotógrafo. "Autor das imagens da guerra, aparece aqui junto a uma barraca de campanha, provavelmente em Canudos. É a última imagem do primeiro álbum original e comprova a autoria do trabalho. O fotógrafo acompanhou as últimas tropas mobilizadas, em especial os batalhões sob o comando do general Carlos Eugênio. Não são claros os motivos que determinaram a presença de Flávio de Barros - até então desconhecido - no campo das operações militares. Sua permanência entre as tropas só poderia ser possível, no entanto, com a anuência do alto comando militar, já que as notícias enviadas pelos correspondentes de guerra sofriam rigorosa censura." ALB01-15
Flávio de Barros
Canudos
1897

Cadáveres nas ruínas de Canudos
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC69.jpg
Cadáveres nas ruínas de Canudos
"Canudos foi destruída até não restar de pé nenhuma construção. Consumado o assalto final, a cidadela ainda foi incendiada e muitos de seus habitantes acabaram morrendo queimados sob os escombros de suas residências. Mesmo contando com a inevitável rendição de seus moradores, voluntária ou involuntária, pois estes já estavam privados de água e comida havia muitos dias, apressou-se o exército em liquidar a residência do arraial, cuja população se resumia, àquela altura. às crianças, mulheres e velhos. Apesar de evitar as cenas mais constrangedoras da guerra, Flávio de Barros nos legou esta impressionante imagem, ainda que mal definida, onde podemos notar alguns corpos pelo chão, misturados às cinzas do madeiramento das casas queimadas durante o assalto final. A cena vista na fotografia se repetiu por toda a extenção do arraial ao final do dia 6 de outubro. Favila Nunes, em sua última carta escrita de Canudos, em 8 de outubro, também expressou o horror da cena: "(...) a permanência aqui é insuportável em vista da situação de Canudos transformada em um vastíssimo cemitério, com milhares de cadáveres sepultados, outros milhares apenas mal cobertos com terra e, o pior de tudo, outros milhares completamente insepultados." Eis o depoimento de Euclides da Cunha: "Tinha-se neste momento a impressão de uma entrada velha necrópole que surgisse, desvendando-se de repente, à flor da terra. (...) Dizia-os, mais expressiva, a nudez dos cadáveres. Estavam em todas as posições: estendidos, de supino, face para os céus; desnudos os peitos, onde se viam os bentinhos prediletos, inflexos no último crispar da agonia; mal vistos, às vezes, caídos sob madeiramentos, ou de braços sobre as trincheiras improvisadas, na atitude de combate em que os colhera a morte." CCEC-21A08 (2)
Flávio de Barros
Canudos
1897

Bom Jesus Antônio Conselheiro, depois de exumado
Archive/Collection: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC68.jpg
Bom Jesus Antônio Conselheiro, depois de exumado
Corpo do Conselheiro exumado; fotografia tirada por ordem do general Artur Oscar, comandante da 4ª Expedição. A mais conhecida e divulgada fotografia realizada por Flávio de Barros em Canudos. Antônio Conselheiro havia falecido no dia 22 de setembro, aos 67 anos, e estava enterrado num compartimento junto à parede ao lado direito da igreja nova. Com a morte dos últimos resistentes que ali se encontravam, ao final da tarde de 5 de outubro, o general Artur Oscar solicitou à Comissão de Engenheiros que removesse o entulho do templo, pois havia sido informado sobre o corpo de conselheiro. às 10h da manhã do dia então, então exumado pela equipe médica chefiada pelo dr. Miranda Cúrio, que não conseguiu determinar a causa da morte. Consta que Conselheiro falecera em função de um disenteria. Outra versão aponta sua morte como consegüência de um ferimento causado por estilhaços de granada. Depois de reconhecido por alguns prisioneiros e por um oficial, foi fotografado por Flávio de Barros, a pedido do próprio general Artur Oscar, sendo também lavrada uma ata, remetida ao marechal Bittencourt, que a recebeu no dia seguinte, em Monte Santo. Como um troféu de guerra, sua cabeça foi retirada para estudos e, posteriormente, levada para o laboratório de Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Bahia, para exames, realizados pela Dra. Nina Rodrigues (amparado nas teorias de Maudsley e Lombroso, ainda em voga nesse período). Após suas análises, o médico considerou o crânio 'normal', sem 'nenhuma anomalia que denunciasse traços de degenerescência'. Seu corpo voltou a ser enterrado no mesmo local onde havia sido encontrado, sendo assim descrito pelo correspondente da Gazeta de Notícias, na edição de 28/10/1897: 'Era um homem baixo, magro, de feições grosseiras, cabeça grande, testa larga, cabelos lisos, incultos e crescidos, barba grisalha, falha nas faces e longa no queixo: parecia moreno (...) estava vestido com uma túnica de zuarte, alparcatas de couro cru e fora sepultado envolvido em esteira.' Em seu telegrama ao presidente da República, de 7 de outubro, logo após receber a comunicação do general Artur Oscar, o ministro da Guerra salientava que havia sido reconhecido a identidade de Antônio Conselheiro no cadáver encontrado na igreja nova. E acrescenta: 'De tudo se levrará um autor em Canudos, sendo o cadáver fotografado.' Esta imagem, portanto, serviu como prova final da rendição de Canudos e de seu principal líder. No dia 2 de fevereiro de 1898, passados quatro meses do final dos conflitos, esta fotografia era apresentada como um dos destaques dentre as imagens de Flávio de Barros, em sessão pública de 'projeção elétrica' realizada no Rio de Janeiro." ALB02-32
Flávio de Barros
Canudos
1897

Ataque e incêndio de Canudos
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC67.jpg
Ataque e incêndio de Canudos
Incêndio do arraial, após o último ataque; à esquerda, na parte superior, a artilharia do Exército. "Entre os dias 1º e 5 de outubro de 1897, Canudos foi intensamente atacada, e suas residências e templos incendiados, sob as ordens do alto comando do exército. O incêndio ocorreu simultaneamente em várias partes do arraial, lançando nuvens de fumaça, como a registrada nesta fotografia, na área ocupada pela igreja do Bom Jesus. O fogo atingiu residências onde ainda se encontravam refugiados os últimos sitiados: 'Lá dentro, por entre as chamas alterosas de mais uma habitação que ardia, mulheres, homens e crianças desapareciam em busca da morte, que preferiam resolutamente a essa entrega discricionária, que não lhes garantia o destino com que à última hora sonharam' (Aristides Milton). Euclides da Cunha também descreveu o horror dos incêndios: 'via-se a transformação do trecho torturado: tetos em desabamentos, prensando, certo, os que se lhes acolhiam por baixo, nos cômodos estreitos: tabiques esboroando, voando em estilhas e torrões; e aqui e ali, em começo dispersos e logo depois ligando-se rapidamente, sarjando de flamas a poeira dos escombros, novos incêndios, de súbito deflagrando'." 00000tmp
Flávio de Barros
Canudos
1897

Uma casa de conselheiristas
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC66.jpg
Uma casa de conselheiristas
Exemplo de moradias típicas do arraial, feitas de pau-a-pique, em dimensões reduzidas. "Fotografia tirada após o final dos combates, onde podemos notar uma residência comum em Canudos. O homem retratado junto à porta de entrada da casa, possivelmente um assistente de Flávio de Barros, serviu para revelar suas reduzidas proporções, fato que chamou a atenção de correspondentes e militares presentes. Sobre o interior da casa, Euclides da Cunha nos conta: "Quando o olhar se acomodava à penumbra daqueles cômodos exíguos, lobrigava, invariavelmente, trastes tatos e grosseiros: um banco tosco; dois ou três banquinhos com a forma de escabelos; igual número de caixas de cedro, ou canastras; um jirau pendido do teto; e as redes. Eram toda a mobília. Nem camas, nem mesas. Pendurados aos Cantos viam-se insignificantes acessórios: o bogó, ou borracha, espécie de balde de couro para transporte de água; pares de cassuás (jacás de cipó) e os aiós, bolsa de caça, feita das fibras de caroá. Ao fundo do único quarto, um oratório tosco." ALB02-46
Flávio de Barros
Canudos
1897

400 conselheiristas prisioneiros
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC65.jpg
400 conselheiristas prisioneiros
"A 2 de outubro, um dia após o assalto final do arraial, soldados do 4º Batalhão avistaram ainda pela manhã uma bandeira branca: tratava-se de solicitação de trégua vinda de Antônio Beatinho, zelador das imagens de Canudos. Beatinho foi levado à presença do general Artur Oscar - a quem chamava de 'doutor-general' - para negociar a rendição dos sobreviventes, solicitando-lhe garantia de vida. O comandante da Quarta Expedição consentiu na solicitação, impondo, no entanto, o seu caráter incondicional. Beatinho voltou para avisar aos sitiados. Até as 17h daquele mesmo dia, um elevado contingente já havia se apresentado. Segundo Favila Nunes, da Gazeta de Notícias, foram cerca de sessenta homens e mais de quinhentas mulheres e crianças, que ficaram sob o cerco do Batalhão de Polícia do Pará. O lado dramático da cena foi descrito pelos diversos correspondentes presentes. Favila Nunes, impressionada, assim o relatou: 'Mas, que horror!... esqueletos humanos, com as mãos decepadas, ferimentos horríveis e asquerosos, alguns apodrecidos.' A fotografia destes prisioneiros é, certamente, uma das mais conhecidas imagens do conjunto, intitulada por Flávio de Barros '400 Jagunços Prisioneiros'. Revela o dramático estado dos sitiados, muitos sem água e comida havia vários dias. A maioria dos prisioneiros na fotografia é constituída por mulheres, algumas amamentando seus filhos, crianças e homens em menor quantidade (ao fundo). Euclides da Cunha também nos revela aspectos da rendição e prisão dos conselheiristas: 'Nem um rosto viril, nem um braço capaz de suspender uma arma, nem um peito resfolegante de campeador domado: mulheres, sem número de mulheres, velhas espectrais, moças envelhecidas, velhas e moças indistintas na mesma fealdade, escaveiradas e sujas, filhos escanchados nos quadris desnalgados, filhos encarapitados às costas, filhos suspensos aos peitos murchos , filhos arrastados pelos braços, passando; crianças, sem número de crianças; velhos, sem número de velhos; raros homens, enfermos opilados, faces túmidas e mortas, de cera, bustos dobrados, andar cambaleante.' Beatinho e muitos destes prisioneiros, contrariando a promessa do alto comando da Quarta Expedição, ainda seriam mortos antes do final dos combates, situação revelada por correspondentes presentes a Canudos e denunciada por Euclides da Cunha: 'E de que modo comentaríamos, com a só fragilidade da palavra humana, o fato singular de não aparecerem mais, desde a manhã de 3, os prisioneiros válidos colhido na véspera, e entre eles aquele Antônio Beatinho, que se nos entregara, confiante - e a quem devemos preciosos esclarecimentos sobre esta fase obscura da nossa história?'." 00000tmp
Flávio de Barros
Canudos
1897

Prisão de conselheiristas pela cavalaria
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC64.jpg
Prisão de conselheiristas pela cavalaria
"Trata-se de uma das mais reveladoras imagens do conjunto. Flávio de Barros simulou a prisão de conselheiristas, o que é claramente identificado pela expressão dos retratados, bem como pelo esquema estático da composição. Um simulacro que visava trasmitir a idéia de eficiência e rapidez do exército e desqualificar a agilidade e destreza dos habitantes de Canudos, vulgarmente chamados de 'jagunços', situação que, de fato, ocorreu com pouca freqüencia, pois estes dificilmente se entregavam com vida aos soldados do exército: 'Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até o esgotamento completo. expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores, que todos morreram.' (Euclides da Cunha)."ALB01-10
Flávio de Barros
Canudos
1897

Um conselheirista preso
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
P001FBAC63.jpg
Um conselheirista preso
Ao centro, canudense rendido pelas tropas federais; trata-se da única foto do conjunto a destacar um jagunço. "Única fotografia do conjunto que destaca a figura de um conselheirista, ou 'jagunço', no linguajar comum da época, ainda hoje tradicionalmente usado para designar os habitantes de Canudos. Esta rara imagem do conjunto está fielmente traduzida nas palavras de Euclides da Cunha: 'O seu aspecto recorda, vagamente, à primeira vista, o do guerreiro antigo exausto da refrega. As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido, de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçado as perneiras, de couro curtido ainda, muito justas, cosidas às pernas e subindo até às virilhas, articuladas em joelheiras de sola; e resguardados os pés e as mãos pelas luvas e guarda-pés de pele de veado é como a forma grosseira de um campeador medieval desgarrado de nosso tempo. Esta armadura, porém, de um vermelho-pardo, como se fosse bronze flexível, não tem cintilações, não rebrilha ferida pelo sol. É fosca e poenta. Envolve ao combatente de uma batalha sem vitória...' A importância de fotografar um combatente conselherista rendido pelas tropas do exército pode ser revelada pelas próprias palavras do comandante da Quarta Expedição, Artur Oscar, que manifestava o desejo "de ver um jagunço vivo", na medida em que estes não se rendiam, lutando até o final de suas possibilidades. Os soldados da foto são do 28º Batalhão de Infantaria." ALB02-48
Flávio de Barros
Canudos
1897

Sepultura do capitão Aguiar
Arquivo/Coleção: Álbum de Canudos - fotografia Flávio de Barros
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Sepultura do capitão Aguiar
Sepultura do capitão Antônio Manuel de Aguiar e Silva, morto no assalto final a Canudos. "O capitão do 1º Regimento de Cavalaria, Antônio Manuel de Aguiar e Silva, faleceu às 15 h do dia 1º de outubro, durante o assalto final a Canudos. Euclides da Cunha narra o episódio que resultou na morte do capitão: "(...) ao passar um batalhão que avançava, se afastou dos companheiros para observar, da esquina, a investida. E ao observá-la, vigorosa e impávida, o moço republicano, que era um oficial valente, jovial e bom, tirou o chapéu, agitando-o entusiasticamente e ergueu - febricitante - um viva fervoroso à República. Essa saudação custou-lhe a vida: a vida fugiu-lhe do peito envolta nas vibrações de um brado heróico, precisamente na ocasião em que sua alma sincera ansiava pela existência eterna da República." Foi sepultdo às 18 h do mesmo dia, conforme testemunho do correspondente da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro." CCEC-16A08
Flávio de Barros
Canudos
1897